Feliz aniversário, Tour Eiffel

raul na tour eiffel

raul na tour eiffel

Hoje, 31 de março de 2015, a Tour Eiffel completa nada menos que 126 anos e ganhou até um doodle na página principal do Google. Para mim, veio em muito boa hora, porque hoje resolvi criar este pequeno blog para mostrar minhas ideias e pesquisas sobre imagem turística e a torre parisiense é sempre meu exemplo favorito: o que era para ser apenas uma atração durante a Exposition Universelle de 1889 e sofreu bastantes críticas durante sua construção, hoje é um dos atrativos turísticos mais reconhecidos do mundo e tem recebido quase 7 milhões de visitas anualmente (Gérardot, 2008; Mauguin, Trubert, 2014). Isso é mais do que o Brasil recebeu de turistas estrangeiros em 2013: menos de 6 milhões (MTur, 2013).

Eu nunca estudei muito a fundo sobre a Cidade Luz nem a bela torre que a representa, mas lendo um tiquinho sobre ela hoje, reparei que tem muito a ver com o tema da minha tese doutoral (wannabe) que trata da mudança da imagem turística de Barcelona. Pesquisando os diversos guias turísticos da Cidade Condal ao longo do século XX, percebi que nem sempre eles traziam as mesmas recomendações para os turistas. O guia mais antigo que eu analiso é de 1929 (Soldevila, 2007 [1929]) e ele não gosta nada-nada do Gaudí. Quando ele passa diante da La Pedrera (apelido da Casa Milà) diz que é o trabalho de um arquiteto genial, sem argumentos sobre isso, mas de um péssimo gosto. E ao que hoje é tido como o maior atrativo de Barcelona e o mais visitado da España com 3,2mi de visitas em 2014 (La Vanguardia, 2015), a Sagrada Família, Soldevila dedica apenas um mísero parágrafo. Por outro lado, todos os guias da primeira década século XXI que eu analiso na tese têm a (agora) basílica como capa ou, pelo menos, contra-capa.

E não é que o grande marco (Boullón, 2002: 197) de Paris tem uma história parecida? Vi que houve um grupo de artistas que se opôs ferrenhamente à obra do escritório de Eiffel, chamando-a, inclusive, de inútil e monstruosa (Loyrette, 1985)! Na minha tese doutoral (wannabe), eu tento traçar as mudanças da imagem turística de Barcelona ao longo de um século XX espichadinho, começando lá pelos idos de 1929 -quando da Exposició Internacional de Barcelona- até a primeira década do século XXI – depois das Olimopíadas e do Fòrum de les Cultures. Um dos objetivos do meu trabalho é entender quem escolhem e como são escolhidos os grandes marcos que compõem as capas dos guias – quem é que diz o que o turista deve vistar, aonde deve ir, como fotografar, o que deve dizer aos locais e o que deve dizer quando voltar para casa e montar a festa de mostrar as fotos para os amigos e parentes de forma a causa mais inveja quanto for possível.

Para que eu possa me centrar nessa empreitada e finalmente terminar esse trabalho que já se alarga por muitos anos, criei este blog para que todos possam acompanhar o desenvolvimento da escritura e para que eu possa colocar minhas ideias em ordem. Penso que é sempre bom ter que explicar minhas hipóteses e o desenvolvimento de minhas teorias para outras pessoas e ver se elas realmente fazem sentido ou se só parecem organizadas na minha cabeça. Espero que vocês não se importem de colaborar comigo e se divirtam com o que eu tenho a apresentar.

 

Referências:

Boullón, R., & Baptista, J. (2002). Planejamento do espaço turístico (p. 280). Bauru: EDUSC.
Gérardot, M. (2008). La construction rythmique de l’incontournable touristique. L’exemple de la tour Eiffel. Articulo – Journal of Urban Research, (8). Retrieved March 31, 2015, from http://articulo.revues.org/
La Vanguardia. (2015, January 20). La Sagrada Familia registró un 3% más de visitantes en 2014. La Vanguardia. Retrieved March 31, 2015, from http://lavanguardia.com
Loyrette, H. (1985). Gustave Eiffel. New York: Rizzoli.
Mauguin, J., & Trubert, M. (2014, June 1). Île-de-France: Fait et Chiffres. Retrieved March 31, 2015.
MTur. (2014, December 26). Estrangeiros aprovam o Brasil. Retrieved March 31, 2015.
Soldevila, C. (2007 [1929]). L’Art d’ensenyar Barcelona: Manual del cicerone amateur que vol quedar bé, tot fent quedar bé la ciutat. Barcelona: Llibres de l’Índex.

3 comments

  1. Sabrina says:

    Oba! Adoro suas ideias e teorias, pode mandar mais que a gente vai colaborando. 😉 Apesar de que meu pensamento sempre recai para o porquê de quase 7 milhões de pessoas ficarem 4 horas numa fila sem fim para subir no principal ponto turístico se ele é tão mais bonito avistado do alto da Sacre Coeur depois de comer um sanduíche de falafel na rua judia do Marais. 🙂
    Bisous.

  2. Mariana Madureira says:

    Raul, achei ótima a ideia de compartilhar em um blog seu relacionamento complexo com a tese doutoral (wannabe) 😀 Acho que será um grande estímulo pra você e uma grande diversão para nós que acompanhamos e torcemos!! Estarei por aqui dando pitacos!! Boa sorte!!!

  3. Gladson Natal says:

    Curti demais o blog e a iniciativa de compartilhar tanto conhecimento. Boa sorte e vai que vai!

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